Meu Rincão

Minha terra não é de todos;
Apenas de quem a ama!
Minha terra não tem tudo;
Apenas o essencial!
Minha terra não tem pressa;
Mas, às vezes, corre!
Minha terra não é grande;
Apenas suficiente!
Minha terra é rica:
Cultura, vanguarda, tradição...
Minha terra perfeita? É, não!
É quase humana, mãe!
É mutante:
Cinzenta , estorricada,
De repente, verde, encharcada!
É sensível, persistente, alegre...
Minha terra enche-me de saudade
Sua água revigora-me
É renovação!
São, do Sabugi,
João.

PR_SJS

domingo, 4 de janeiro de 2009

Brasil Império_Cabanada e Cabanagem...

CABANADA e CABANAGEM Por Claudio Recco CABANADA A Cabanada foi uma das primeiras rebeliões ocorridas no Brasil no período regencial, de duração significativa, entre 1832 e 1835, abrangendo regiões das províncias de Pernambuco e de Alagoas. No entanto é um movimento pouco retratado nos livros didáticos e, portanto desconhecido da maioria, provavelmente por ter características peculiares, eventualmente opostas à da maioria dos movimentos da época. ========================================================= Ao contrário dos principais movimentos que ocorreram em Pernambuco e que deram a província uma marca de “mais avançada”, a rebelião teve caráter conservador, pois defendia o retorno de D. Pedro I ao Brasil. ========================================================= Desenrolou-se na zona da mata e no agreste povoada por sertanejos ou mestiços de branco e índio, por escravos negros e por fazendeiros e senhores de engenhos de açúcar que formavam a elite local, dominando e controlando os grupos populares. Esse é um dos fatores explicativos da postura política do movimento, na medida em que essa elite agrária apoiou os movimentos que exigiram a renúncia de D. Pedro I, ao contrário da elite urbana do Recife, formada principalmente por mercadores de origem portuguesa partidários do imperador. ========================================================= Na medida em que as camadas populares percebiam os grandes proprietários como responsáveis pela situação de pobreza e miséria, se colocavam contra as posições políticas dos mesmos, instigados por aqueles que haviam perdido privilégios com o fim do Primeiro Reinado. ========================================================= Liderados por Vicente Ferreira de Paulo, cerca de mil homens se reuniam na região denominada Panelas de Miranda, porém, de início, sem qualquer objetivo político definido, limitando-se apenas a viver de saques às fazendas e da pilhagem. Em contrapartida, os proprietários recorrem aos novos governantes da Província para manter a ordem tradicional. Um conflito que nasceu da pobreza passou a ter conotação política, na medida em que os populares se organizaram para resistir a repressão. ========================================================= Assim, no final julho 1832, na região de Passo, D.Pedro I foi proclamado Imperador do Brasil, fazendo com que o problema criado tomasse maior vulto, forçando o governo a enviar tropas para a região, para reprimir o movimento considerado restaurador. ========================================================= Depois de quase quatro anos de luta, chegou a Panelas o Bispo D. João Marques Perdigão, com o objetivo de pacificar a região. O Bispo obteve a rendição dos sublevados com a condição de serem anistiados, pondo fim a “Guerra dos Cabanos". ========================================================= Além disso, obteve da Assembléia Provincial de Pernambuco ajuda material aos cabanos, como instrumentos de trabalho, remédios e roupas. Dessa maneira os índios retornaram a suas aldeias, assim como os lavradores retomaram seus trabalhos na antiga estrutura fundiária, porém aos negros só restaria a volta ao cativeiro, situação que o obriga a se manter no interior isolado, em pequenos quilombos. Nesse contexto é que se organizou a Guarda Negra, que persegue os desertores, responsáveis pela fraqueza do movimento, e promove assaltos as fazendas, para saqueá-las e promover a libertação de escravos. Essa situação de belicosidade no interior de Pernambuco prolongou-se até 1850, quando da promulgação da Lei de Terras que possibilitou a expansão do latifúndio e devido a prisão de Vicente Ferreira de Paula. ========================================================= Na serra dos Timóteos, no Sítio Cafundó e em vários outros lugares ainda se encontra muito material de guerra da época, abandonado ao termo da campanha”. ========================================================= CABANAGEM ========================================================= Um dos mais duradouros movimentos sociais do período regencial foi a Cabanagem no Pará, no entanto, datas diferentes são utilizadas como referências para sus eclosão e para seu desfecho, abrangendo praticamente toda a década de 30. ========================================================= O termo Cabanagem se origina das habitações – cabanas – humildes, na beira dos rios, nas quais vivia a população pobre, em particular indígenas e mestiços. Parte dessa população já havia participado da Guerra de Independência do Brasil e dos diversos conflitos que se desenvolveram na província na década de 20, marcados por forte sentimento liberal e anti-lusitano. Mesmo com o reconhecimento da Independência, a elite mercantil de origem portuguesa se manteve no controle político e econômico da região. ========================================================= Essa situação foi responsável por uma série de pequenas revoltas até 1829, conhecidas como “Quarteladas de Belém”, reação popular contra os privilégios e desmandos lusitanos. ========================================================= Percebe-se que a luta dos paraenses tem um sentido socioeconômico e político, sendo que as mudanças políticas, superestruturais e que deveriam ocorrer com maior rapidez não foram realizadas. Ao contrário, mesmo após a abdicação de D. Pedro I, o governo regencial manteve a prática de nomear os governantes das províncias, descontentando tanto as elites locais como as camadas mais pobres – tanto da cidade quanto do campo. ========================================================= As primeiras agitações importantes ocorreram em 1832 sob a liderança de Batista Campos, que dominou a comarca de Rio Negro na região do Amazonas e impôs sua política ao governo da província. A reação do Rio de Janeiro foi uma política repressiva, que na prática de novo ânimo aos rebelados e, em janeiro de 1834 iniciou-se a Cabanagem, que depôs e executou Lobo e Silva, presidente da província, e outras autoridades locais. ========================================================= O primeiro governo cabano foi liderado pelo fazendeiro Clemente Malcher que declarou-se fiel ao imperador ainda menor de idade e passou a reprimir o movimento popular, sendo deposto e fuzilado. O substituto Francisco Pedro Vinagre adotou política semelhante, procurando resguardar o poder para si, negociando diretamente com a regência, numa postura que traía o movimento cabano. ========================================================= O governo regencial, bastante temeroso com o desenrolar dos acontecimentos, enviou um grande contingente militar a província, comandado por Manuel Jorge Rodrigues, que tomou o controle de Belém, com a ajuda do próprio Francisco Vinagre, traindo pela segunda vez os cabanos. ========================================================= A reação dos cabanos partiu do interior e organizados e armados, retomaram a capital e proclamaram a República e o desligamento da província do restante do império. Os cabanos dominaram a província durante um ano; em maio de 1836 chega grande esquadra a região e inicia-se violenta repressão, forçando os cabanos a abandonar a capital e a recuar para o interior, onde focos de lutas se mantiveram, assim como a política repressiva adotada pelo governo, até 1840. ========================================================= Incapazes de resistir os rebeldes foram massacrados. Ao final do movimento, cerca de 30mil homens haviam morrido nos diversos conflitos promovidos por mercenários e pelas tropas governamentais. ========================================================= Chegava ao fim a Cabanagem que, segundo o historiador Caio Prado Júnior, "foi o mais notável movimento popular do Brasil... o único em que as camadas mais inferiores da população conseguem ocupar o poder de toda uma província com certa estabilidade. ========================================================= Apesar de sua desorientação, da falta de continuidade que o caracteriza, fica-lhe contudo a glória de ter sido a primeira insurreição popular que passou da simples agitação para uma tomada efetiva de poder."

Brasil Colônia

Bolos e docinhos EXTRA! EXTRA! PROIBIDA A PRODUÇÃO DE BISCOITOS, BOLOS E DOCINHOS EM LISBOA Por Cristiano Catarin O ano de 2008 está sendo especial para a historiografia brasileira em relação à temática da transferência da família real portuguesa ao Brasil ocorrida em 1808. O bicentenário deste importante episódio da História proporcionou um salto no debate historiográfico, desenvolvendo e enriquecendo diferentes abordagens que envolvem todo o processo histórico como: os antecedentes, os preparativos, a própria viagem e a chegada e permanência de uma corte européia na América entre 1808 e 1821. Entretanto, nossa parada será os últimos meses do ano de 1807, em Lisboa, momentos primorosos que antecederam a tão discutida atitude tomada e realizada por d. João em 29 de novembro, quando então a família real, tudo e todos que significassem o aparelho político, administrativo e até religioso da corte portuguesa foram lançados ao mar rumo ao Brasil. O último trimestre de 1807 foi tomado por grandes modificações no cotidiano da cidade de Lisboa, em Portugal. De um lado, havia uma combinação de práticas religiosas e demonstrações de preparos militares, de outro, falatórios, boataria e intrigas, a cidade portuguesa estava refém das tensões que rondavam as decisões e indecisões do príncipe regente d. João quanto a escolha de qual posição tomar frente às pressões exercidas em terra, por meio das ameaças do então imperador francês Napoleão Bonaparte, e pelo mar, pela Inglaterra, detentora do maior poderio marítimo da época. A realidade dos fatos causava desconserto de idéias em d. João, e esse sentimento do príncipe aumentava com os boatos que pairavam pelas ruas de Lisboa, como o exemplo de que diziam que se o príncipe regente de fato fosse lançar-se ao mar com destino ao Brasil, sua embarcação seria “engolida” pelas águas e ninguém iria sobreviver. A cidade portuguesa estava agitada, sendo palco de rezas e crenças e, ao mesmo tempo, de muitas preocupações de combate de encontrar maneiras para o melhor preparo militar. Toda a agitação acabou alcançando diversos setores de Lisboa. Toda instabilidade e insegurança acabaram atingindo o mercado local da cidade, que naquela época apresentava escassez de mantimentos, especialmente a falta de carne e de trigo. Esta situação fez o governo baixar um edital regulando o consumo da farinha, restringindo seu uso exclusivamente para produção de pão, proibindo, portanto, a produção de biscoitos, bolos e docinhos. Um verdadeiro racionamento de trigo estabeleceu-se em Lisboa. Os famosos pastéis de Belém, famosa iguaria da culinária portuguesa, foram diretamente atingidos pelo edital disposto em 16 de novembro de 1807. A escassez de víveres representa o tamanho das dificuldades e das incertezas que faziam parte dos portugueses naquela época. Afinal, Portugal estava prestes a demarcar um fato inédito na História, pois, até aquele momento, nenhuma outra monarquia européia havia se transferido para o outro lado do Atlântico. Para sabe mais: SCHWARCZ, Lilia Moritz. A Longa Viagem da Biblioteca dos Reis: do terremoto de Lisboa a independência do Brasil. Colabs. Paulo César de Azevedo, Ângela Marques da Costa: Companhia das Letras. São Paulo, 2002.

domingo, 28 de dezembro de 2008

Ortografia

Novas regras entram em vigor em janeiro Assembleia, plateia, ideia, panaceia, Coreia, colmeia, boia, paranoia, jiboia, apoio, heroico, paranoico, enjoo, voo, coroo, perdoo, coo, moo, abençoo, povoo, creem, deem, leem, veem, descreem, releem, reveem, eloquência, tranquilo, feiura, autorretrato, antissocial, suprarrenal, ultrassonografia, autoajuda, autoescola, contraindicação, semiaberto, semiárido, mandachuva, paraquedas, paralama e micro-ondas. Não, as palavras acima não estão grafadas incorretamente, ou pelo menos não estarão a partir de 1º de janeiro de 2009. É que, na data, entrarão em vigor as regras do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. O acordo foi assinado em Lisboa, em dezembro de 1990, passou pelo Congresso Nacional que o aprovou por meio de decreto em 95, mas só no último final de semana foi assinado pelo presidente Lula. A partir de janeiro próximo, começa a correr o prazo para seja consolidado até dezembro de 2012. O acordo - que visa unificar o registro escrito do português nos oito países que falam o idioma: Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Timor Leste, Brasil e Portugal - reduz o uso do trema; elimina o uso do acento agudo nos ditongos abertos "ei" e "oi" de palavras paroxítonas (como em "assembléia" e "idéia"); acaba com o uso do acento diferencial de palavras como pára (do verbo parar) e para (preposição); e incorpora as letras "k", "w" e "y" ao alfabeto, entre outras alterações. O decreto de implementação do acordo ( nº 6.586/08) foi assinado por Lula na Academia Brasileira de Letras (ABL), em sessão solene pela passagem dos 100 anos da morte do escritor Joaquim Maria Machado de Assis, primeiro presidente e símbolo maior da instituição. Em 2009, os livros escolares, distribuídos pelo Ministério da Educação à rede pública de ensino de todo o país, serão autorizados a circular tanto na atual, quanto na nova ortografia. A partir de 2010, deverão ser editados somente na nova ortografia, excetuadas a circulação das reposições e complementações de programas em curso. O texto do acordo ortográfico foi assinado pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) em 16 de dezembro de 1990. A norma deveria entrar em vigor quatro anos depois, mas algumas nações não conseguiram ratificá-lo a tempo. A expectativa é que as mudanças alterem entre 0,5% e 2% do vocabulário atual. Para conferir o texto do acordo clique em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Decreto/D6583.htm . (Agência Senado e Assessoria)

domingo, 21 de dezembro de 2008

Brasil República_Dândi Negro

Dândi Negro Por Petrônio Domingues ================================================================== Filho de ex-escravos nascido no fim do século 19, Lino Guedes destacou-se como jornalista, escritor e ativista político, respeitado entre a sociedade intelectual paulista. ================================================================== É comum pensar que o negro depois da abolição da escravatura ? 13 de maio de 1888 ? ficou completamente a deriva, excluído do mercado de trabalho e da vida nacional. O retrato completo dessa explicação aponta para um negro anômalo: desempregado ou realizando serviços braçais, analfabeto, desarticulado social e politicamente, despreparado para o mundo civilizado e a vida moderna e, por fim, soterrado em seu complexo de inferioridade. Essa explicação esquemática, simplista e reducionista tem sua parcela de verdade, mas não é tudo que pode (e deve) ser dito acerca do destino dos ex-escravos e de seus descendentes. A história é mais complexa, multifacetada, contraditória e rica de fatos, cenários, personagens e contextos do que se imagina. Além dos negros que ficaram marginalizados ? que por sinal foram muitos ? houve aqueles que também ascenderam social e culturalmente, destacando-se em profissões de prestígio, sendo reconhecidos em ambientes letrados e respeitados pelos mais diferentes extratos da sociedade. Um desses casos foi Lino de Pinto Guedes ? comumente conhecido como Lino Guedes ? nascido na cidade de Socorro, interior de São Paulo, em 24 de junho de 1897. Seus pais eram dois ex-escravos que levavam uma vida humilde e pacata. Quando recém-nascido perdeu o pai, o que fez com sua mãe ficasse responsável pela educação dele e de sua irmã, Gracinda Guedes. Com parcos recursos materiais, recebeu ajuda do ?coronel? Olympio Gonçalves dos Reis, um dos líderes políticos mais poderosos da cidade. Foi a partir dessa relação paternalista de ?proteção? e dependência desse coronel que Guedes conseguiu ingressar na escola, num período em que não era fácil arcar com as despesas dos estudos em que vários estabelecimentos de ensino de São Paulo (e de outros lugares do país) se recusavam a matricular crianças negras. Depois de ter concluído o equivalente ao atual ensino fundamental, mudou-se para a cidade de campinas em 1912, a fim de dar continuidade aos estudos na escola normal e tornou-se professor. Na nova cidade, ampliou seu círculo de amizades, passou a freqüentar novos ambientes e descobriu outros horizontes culturais. Como resultado, desistiu da carreira de docente e assumiu a sua verdadeira vocação: o jornalismo. Seu primeiro emprego foi no jornal Diário do Povo, onde foi contratado como revisor auxiliar. Em seguida trabalhou no Correio de Campinas como revisor-chefe e na redação do Correio Popular. ================================================================== Militância Escrita ================================================================== Paralelamente ao trabalho na grande imprensa, dedicou-se a militância em defesa da ?classe dos homens de cor? (como se falava na época). Afinal, um de seus grandes sonhos era ver a elevação moral, social e cultural desse segmento populacional. Munido de muita disposição de luta e de um discurso cada vez mais racializado, freqüentou grêmios recreativos e eventos sociais da comunidade negra e, principalmente, engajou-se obstinadamente na chamada imprensa negra ? jornais criados por e para os afro-brasileiros. O primeiro desses jornais a contar com sua colaboração foi A União, em 1915, quando Guedes dava os primeiros passos na profissão. Em companhia de Gervásio de Morais e Benedito Florêncio, fundou o Getulino em 1923. vale ressaltar que, em termos de militância, sua grande inspiração foi o abolicionista negro Luis Gama, conhecido pelo apelido de Getulino. Foi, aliás, para homenageá-lo que Guedes convenceu os companheiros a escolher a alcunha como título do novo jornal. Mas esse, assim como outras publicações do gênero, não teve vida longa. Três anos depois Getulino encerrou suas atividades. Tudo indica que Guedes passou a achar a cidade de campinas pequena para suas ambições pessoais e profissionais, por isso transferiu-se para a capital paulista ainda em 1926. Começou a trabalhar no Jornal do Comércio, tendo atuado, até o fim de sua vida, em vários órgãos da imprensa escrita: O Combate, A Razão, Correio Paulistano e, por último, Diário de São Paulo, no qual por vários anos chefiou o seu departamento de revisão. Essas várias mudanças de emprego podem evidenciar o quanto Guedes era respeitado e transitava no meio jornalístico de São Paulo, não lhe faltando oportunidade de trabalho. Em São Paulo deu continuidade à sua militância em defesa dos direitos dos negros, participando de associações recreativas e reuniões sociais da comunidade negra, até que, em 1928 colaborou com Argentino Celso Wanderley na fundação do Progresso, jornal cujo objetivo declarado era angariar recursos para a construção de uma herma à Luis Gama. Nele, Guedes procurou convencer seu público leitor que suas propostas em prol da ascensão do negro eram as melhores. Baseavam-se num discurso moralizador, nacionalista, de valorização da raça, da educação formal e da cultura ocidental. ================================================================== Declínio e Literatura ================================================================== Devido a seus posicionamentos político-ideológicos, entrou em divergência com algumas das principais lideranças afro-paulistas. Fora acusado de ser arrogante, personalista e elitista, em descompasso com os anseios da maior parte da população negra. O fato é que, se, na época de sua chegada a capital, Guedes foi elogiado, depois passou a ser criticado, o que o fez perder cada vez mais espaço no movimento associativo da ?classe dos homens de cor?. Simultaneamente a carreira profissional e ao engajamento político, ele também se dedicou ao mundo da literatura. Sua paixão era a poesia. E, ao traduzir em linguagem poética, seus desejos, sonhos, expectativas, alegrias e frustrações, Guedes notabilizou-se por escrever, o que foi denominado na literatura negra ? uma literatura produzida por afro-brasileiros voltada a tratar de suas questões. Suas primeiras poesias foram publicadas nos jornais da imprensa negra, tanto em Campinas quanto em São Paulo. Em 1924 publicou o livro Luís Gama e sua Individualidade Literária, como forma de render, mais uma vez, tributo ao seu maior ídolo. Dois anos depois deu-se o lançamento de Black, seu primeiro livro de poesia. Segundo o prefaciador de uma de suas obras, ele escreveu o primeiro livro intrinsecamente getulino no Brasil, ou seja, um livro em nome da e para a comunidade negra. Essa opinião é de certa forma compartilhada por David Brookshaw, para quem Lino Guedes foi o primeiro poeta negro do Brasil a experimentar a alma de seu povo. ================================================================== Texto publicado originalmente na revista Desvendando a História, no. 19

História Potiguar

Mais perto de Deus e mais perto do mar... ================================================================== A conveniência era fixar-se ao redor da capela, mais perto de Deus, e mais próximo do mar... Foi assim que as primeiras casinhas de pescadores se aninharam em volta da capela de Nossa Senhora da Soledade. Era o marco inicial e referência maior de Pirangi do Sul, um vilarejo do município de Nísia Floresta (RN). Hoje, na sua beleza singela, pintadinha de novo e bem zelada, a pequena construção religiosa remonta à origem do povoado. Foi no século 19. Manoel Joaquim Freire, Ignez Emiliano Freire e Rita Maria de Macedo doaram um terreno nos arredores da cidade, perto da praia, para a construção de capela, em louvor a Nossa Senhora da Soledade. Sonho realizado, já em 1920, após os pescadores segue-se a chegada dos moradores de Natal e dos arredores. É mais uma década de novas construções e as primeiras casas de veraneio. ================================================================== Um dos pioneiros dessa fase foi o farmacêutico José Augusto da Costa. No volante de seu Ford 29, saía de Macaíba nos finais de semana, para aproveitar a tranqüilidade de Pirangi do Sul. Passados tantos anos, a praia continua ideal para longas caminhadas e para passeios no vilarejo, onde bons restaurantes oferecem o melhor da cozinha potiguar. O destaque fica para a galinha a cabidela, a carne de carneiro e de bode, a carne guisada e, como sobremesa, as famosas cocadas, de dar água na boca. ================================================================== Pirangi do Sul é também muito procurada por quem gosta de esportes náuticos. E não é de hoje. No livro "Jangada: Uma Pesquisa Etnográfica", do folclorista potiguar Câmara Cascudo, são descritas as famosas corridas de jangadas disputadas por pescadores. Quem saía vencedor, depois de um acirrado certame, era agraciado por um colar de pequeninas pérolas. Atualmente não há mais tal premiação. Contudo, os praticantes dos esportes náuticos, com seus modernos equipamentos, continuam atraídos por Pirangi do Sul. ================================================================== A praia tem, como grande atração, suas piscinas naturais, formadas a partir de arrecifes que represam a água do mar, na maré baixa. Apesar de suas areias não tão claras quanto as de outras praias que se estendem ao longo da costa do Rio Grande do Norte, esses reservatórios fazem a alegria das famílias que querem tranqüilidade para o banho de mar. Tudo isso e muito mais se localiza a cerca de 30 quilômetros de Natal. Pode ser alcançado via Rota do Sol, uma estrada litorânea que sai da capital do Rio Grande do Norte até a vizinha Pirangi do Norte. Daí até o destino final, apenas um rio separa as duas "Pirangis" cujas águas dão o nome a essas duas lindas praias do Nordeste. ================================================================== Visite o Rio Grande do Norte, visite a capela de Nossa Senhora da Soledade, visite Pirangi do Sul! ================================================================== Foto – enviada pelo internauta Carlos Roberto Pereira para o site do senador Garibaldi Alves Filho, DE ONDE FOI CAPTURADA.

domingo, 14 de dezembro de 2008

O que significa pagamento de royalties?

O pagamento de royalties é uma compensação financeira a que estão obrigadas todas as empresas concessionárias que exploram recursos minerais, considerados bens públicos pela Constituição federal. ================================================================== Na exploração petrolífera, os royalties incidem sobre a produção mensal de cada campo produtor e são recolhidos mensalmente. O termo royalty, que significa "do rei", tem origem em taxas cobradas pela monarquia, na Inglaterra, sobre a caça feita em terras pertencentes à Coroa Britânica. ================================================================== Com a ampliação do uso da expressão, royalty passou a representar toda taxa paga pela realização de uma atividade econômica nas terras do Estado e, em sentido mais amplo, a compensação financeira para o detentor, público ou privado, de um direito.

Como é feita a distribuição dos recursos da exploração do petróleo?

A legislação brasileira determina que o pagamento de royalties pela exploração de petróleo e gás natural seja equivalente a 10% da produção, que são destinados para a União, os estados e os municípios. ================================================================== Em 2007, foram distribuídos cerca de R$ 7,5 , como royalties pela exploração de petróleo e gás natural, em poços terrestres e marítimos. Do total, cerca de 30% ficaram com os estados e outros 30% com municípios. Do restante, a Marinha recebeu 15%, o Ministério da Ciência e Tecnologia 12% e o Fundo Especial, utilizado por estados e municípios para investimentos em políticas públicas, cerca de 8%. ================================================================== No ano passado, dez estados receberam pagamentos de royalties do petróleo: Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, São Paulo e Sergipe.