Meu Rincão

Minha terra não é de todos;
Apenas de quem a ama!
Minha terra não tem tudo;
Apenas o essencial!
Minha terra não tem pressa;
Mas, às vezes, corre!
Minha terra não é grande;
Apenas suficiente!
Minha terra é rica:
Cultura, vanguarda, tradição...
Minha terra perfeita? É, não!
É quase humana, mãe!
É mutante:
Cinzenta , estorricada,
De repente, verde, encharcada!
É sensível, persistente, alegre...
Minha terra enche-me de saudade
Sua água revigora-me
É renovação!
São, do Sabugi,
João.

PR_SJS

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

História do Brasil...

Vacina e rebelião
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Revolta da vacina: um protesto contra a indiferença Tiago Eloy Zaidan O Brasil do alvorecer do século XX estava infestado de moléstias e epidemias. A miséria e a total falta de higiene apresentavam-se como uma bomba preste a explodir nos cortiços improvisados onde residentes da classe baixa empilhavam-se. Ninguém escapava às mortíferas “senhoras”: peste bubônica, varíola e a febre amarela. Nem mesmo o filho do então presidente Rodrigues Alves. Então o pai resolveu contra-atacar. Dentre as medidas, realce para a vacinação obrigatória contra a varíola. A população, por sua vez, reagiu com veemência nas ruas do Rio de Janeiro. A primeira vista tudo parecia surreal. Por que o povo protestaria contra algo que visa à erradicação de uma perigosa enfermidade?
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Em 1902 a capital federal, Rio de Janeiro, representava um país atrasado e um estado com vista turva quando o assunto era política social. À imensa população desamparada, somavam-se numerosas levas de imigrantes, incentivados a vir ao Brasil para servirem de mão de obra – em condições sofríveis – nas plantações paulistas de café. Nas ruas acanhadas do Rio de Janeiro as epidemias fluíam assustando os navios, que preferiam seguir direto para Buenos Aires. Tal situação incomodava os cafeicultores e mesmo os líderes políticos da época, sedentos por atraírem mais imigrantes e, consequentemente, mais mão de obra prosaica. As elites – demasiadamente consideradas pelo poder público nas primeiras décadas do século XX – por sua vez, não escondiam o constrangimento de viverem num ambiente tão diferente das avenidas européias, especialmente as francesas.
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É nessa capital – de beleza natural lendária – que o paulista Rodrigues Alves, assume a Presidência da República. Como era de se supor, Alves era um rico cafeicultor. Já havia “passeado” pelo Ministério da Fazenda nos governos de Floriano Peixoto e Prudente de Moraes e também foi gestor de São Paulo, onde ensaiou sua obsessão por reurbanização, abrindo avenidas e construindo redes de esgotos. Agora era a sua vez de ser alçado ao palácio pelos conchavos entre mineiros e paulistas. Junto à Pereira Passos, prefeito do Rio de Janeiro, Alves deu início à revolução urbana da cidade maravilhosa, mas não sem antes estreitar a dependência do Brasil com a Inglaterra, após contrair um empréstimo de oito milhões de libras. ============================================================ Oswaldo Cruz ============================================================ A pressa foi uma das marcas da reconstrução da cidade. A outra foi à insensibilidade com os moradores humildes da região. Completamente indiferente às classes baixas, o projeto tinha como principal meta a construção da “afrancesada” Avenida Central (posteriormente rebatizada de Avenida Rio Branco), iniciada em 29 de fevereiro de 1904. Sem nenhuma reparação, uma considerável leva de residentes miseráveis foi varrida do centro do “novo” Rio de Janeiro, que começava a surgir numa área limitada. Os novos imóveis, que margeariam a moderna avenida, deveriam antes passar pelo crivo de uma bancada de “ilustres” da sociedade de então. Dentro de meses a classe alta da capital poderia passear orgulhosa no belo bulevar tropical. Além da Avenida Central, fora reformada a rua do Ouvidor e construída a avenida Beira-Mar.
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Dentro da meta de “civilizar” o centro administrativo do país, proposto por Rodrigues Alves, faltava o combate às enfermidades imundas e impertinentes que fustigavam a urbe. Aqui que entrou em cena o então desconhecido Oswaldo Cruz, com sua obstinação permeada por lances autoritários, visando alcançar os seus objetivos. Nascido em 1872, na pequena São Luís do Paraitinga (SP), formou-se pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1896. No Instituto Pasteur em Paris, tornou-se discípulo do sanitarista Émile Roux, que o indicou para o governo brasileiro. Em 1902, de volta ao Rio, assumiu a direção do Instituto Soroterápico Federal, que mais tarde receberia o seu nome. No ano de 1903 é nomeado Diretor de Saúde Pública com “liberdade de ação”. Pela frente, a peste e a febre amarela, com seus ratos e mosquitos, respectivamente. Foram criados batalhões mata-mosquitos com a intenção de pulverizarem locais de risco. Foi o suficiente para a imagem de Cruz tornar-se freqüente nas ilustrações de caricaturistas da época.
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Contudo, foi no combate a varíola que os achincalhamentos evoluíram. Com a medida rígida de se vacinar maciçamente a população, por meio da obrigatoriedade – aprovada pelo congresso no fim de outubro de 1904 – foram estipuladas multas e restrições aos infratores, causando maiores reações. O Atestado de Vacinação passou a ser exigido trivialmente, desde a obtenção de um emprego público ao casamento. A falta de habilidade do governo no tratamento da rejeição popular à medida defendida por Oswaldo Cruz agravou a situação. Para se ter idéia da repressão oficial basta citar o episódio do dia 10 e novembro, quando um orador foi preso no palanque por pregar contra a vacina. Após uma série incontável de medidas arbitrárias da república “Café com Leite” (modo como foi apelidada a era das administrações oligárquicas de 1894 a 1930), tornou-se mais fácil enxergar o estado com desconfiança. Entre os dias 11 e 14 de novembro a massa enfurecida saiu às ruas do artificializado centro do Rio de Janeiro deixando um rastro de “postes envergados (...), vidros fragmentados (...), paralelepípedos revolvidos (...), destroços de bondes quebrados e incendiados (...)” e “vestígios de barricadas feitas pela multidão agitada”, proclamou em tom assustado o Jornal do Commercio de 15 de novembro de 1904.
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O mesmo jornal relatou casos de mortes durante a revolta. “(...) Um robusto homem de cor, que vestia calça e camisas pretas, achava-se do alto, numa pequena janela, atirando. Ali o alcançou uma bala de carabina que lhe varou o crânio, prostrando-o instantaneamente morto”. É também relatada a história de um menino de 12 anos que, “(...) chegou à janela na ocasião do conflito e logo foi morto por um tiro que lhe varou a carótida”. A vacinação foi suspensa. ============================================================ Diante das manifestações descontroladas, Tânia Maria Fernandes em seu livro Vacina Antivariólica: ciência, técnica e o poder dos homens – 1808 – 1920, faz saber, “Oswaldo Cruz tinha como característica não se pronunciar publicamente e assim se manteve mesmo diante de todas as críticas sobre sua conduta frente à higiene. Sua resposta ao episódio da revolta da vacina foi colocar o cargo à disposição do Ministro do Interior J. J. Seabra (...)”. No dia 15 de novembro, quando se deveria comemorar o aniversário da proclamação da República brasileira, cadetes positivistas da Escola Militar de Praia Vermelha aderiram oportunamente ao movimento popular. Desejavam reassumir o controle da nação, perdido para os cafeicultores desde 1894. Todavia, essa rebelião, especificamente, foi debelada e Lauro Sodré – Tenente coronel que seria agraciado com o cargo presidencial – terminou ferido e preso; sorte menos infeliz que as dos 200 cadetes mortos no levante.
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O que ocorreu a seguir foi a decretação de estado de sítio de um mês, adicionado às invasões bestiais de tropas governamentais a favelas e cortiços miseráveis, onde foram presos, praticamente à revelia, diversos indivíduos. Muitos desses foram exilados no longínquo Acre, então recém-anexado ao Brasil. A vacinação foi restaurada e, dentro de meses, a varíola foi erradicada da capital federal. Oswaldo Cruz consagrou-se. Convidado a atuar em outras localidades, entrou para a história da ciência em solo tupiniquim. Rodrigues Alves concluiu o mandato, assumiu novamente o posto de governador de São Paulo em 1912 e tornou a eleger-se presidente da república. Alves, entretanto, não chegou a tomar posse. Ironicamente acabou vítima de uma nova e assombrosa epidemia, a gripe espanhola. Morreu em 16 de janeiro de 1919, no Rio de Janeiro “devidamente” urbanizado, porém, indevidamente humanizado.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Atualidades

Plantation do séc. XXI Por Cristiano Catarin ============================================================ Para garantir a ocupação e proteção das novas terras encontradas (que mais tarde receberiam o nome de Brasil), Portugal traçou, na metade do século XVI, um plano de colonização por meio de capitanias hereditárias, uma espécie de “terceirização de trabalho” sem custo para Metrópole lusitana. Das quinze capitanias estabelecidas, apenas duas prosperaram: São Vicente e Pernambuco. Aproveitando-se do clima favorável e de grandes extensões de terras, o sistema Plantation (cultivo de cana-de-açúcar para fabricação do açúcar) de exploração (totalmente voltado para exportação) foi bem sucedido até meados do fim do século XVII. ============================================================ O ciclo do açúcar contribuiu favoravelmente às intenções portuguesas, pois tratava-se de um produto extremamente valorizado no mercado europeu. Com mão-de-obra escrava, os engenhos de açúcar, especialmente os localizados em Pernambuco, produziam quantidade capaz de carregar no início do século XVII cerca de 130, 140 naus todo ano. Todo este açúcar era refinado e comercializado pelos holandeses, tidos como especialistas na arte do comércio. ============================================================ O trabalho no engenho era basicamente realizado por negros vindos da África. É verdade também que alguns personagens que desempenhavam determinadas atividades nos engenhos eram considerados homens livres, como, por exemplo, o mestre de açúcar (responsável por dar ordens a negros que agitavam o mel – suco muito doce obtido da cana-de-açúcar). A “casa de purgar” (local onde branqueava o açúcar) também era dirigida por um mulato livre. ============================================================ A produção açucareira entrou em decadência no final do século XVII. Portugal precisava dos recursos advindos da colônia para manter os luxos e extravagâncias da Metrópole e também manter em dia as dívidas contraídas especialmente com os ingleses. ============================================================ A EXPLORAÇÃO CONTINUA... O século XVIII foi literalmente o século de ouro para Metrópole, pois com a exploração do precioso minério encontrado em abundância na região de Minas Gerais, Portugal conseguiu manter sua nobreza no mundo das riquezas por um longo período. ============================================================ Em meados do século XIX deu-se o chamado ciclo do café no Brasil, era a cafeicultura a grande força comercial produzida no país, agora independente dos portugueses. A produção cafeeira impulsionou definitivamente o processo de industrialização brasileira que contou com o desenvolvimento, nesta mesma época, da malha ferroviária. ============================================================ Como estamos notando, o Brasil já foi cenário de diversos ciclos produtivos de exploração, dentre os mais destacados estão: o pau-brasil, a cana-de-açúcar, o ouro, o café, etc. Na contemporaneidade temos: a soja, o milho, o algodão..., e “novamente”, a cana-de-açúcar, agora como principal fonte de matéria-prima para produção do Etanol – que é considerado o biocombustível de maior produtividade no mundo. ============================================================ Com a política de alta produtividade automobilística, o século XXI, neste respeito, está representando ao Brasil uma espécie de retorno ao modelo estabelecido no século XVI, com o sistema de grande produção canavieira que está comprometido com o fornecimento da principal fonte par produção do Etanol. O álcool de cana-de-açúcar do Brasil é o biocombustível de maior produtividade mundial. Entre os anos de 2000 e 2006 houve um aumento nas exportações do produto de expressivos 3000%; as áreas destinadas ao cultivo da cana aumentaram cerca de 43%. Atualmente, o setor canavieiro “emprega” cerca de 3,5 milhões de pessoas no Brasil. ============================================================ O significativo aumento havido na produção de automóveis denominados bicombustíveis no Brasil impulsionou a produção e exportação do etanol fazendo com que tal produto seja tão importante para economia brasileira quanto a carne, a soja, o milho, etc. ============================================================ Todo este “panorama histórico” foi traçado para chegarmos numa impressionante realidade dos trabalhadores que hoje são responsáveis pela colheita de grande parte da safra canavieira no Brasil, os chamados bóias-frias. Respeitando as devidas proporções, não podemos negar de que existem semelhanças no cotidiano do trabalho em que o bóia-fria esta inserido, em comparação aos escravos que trabalhavam nos engenhos de açúcar no período colonial brasileiro. ============================================================ As similaridades existem. No sistema plantation e no atual sistema produtivo da cana-de-açúcar são utilizadas grandes extensões de terras para tal finalidade. Nos engenhos o trabalho (árduo, exaustivo e não reconhecido) era realizado por escravos, nos canaviais do Brasil contemporâneo os denominados bóias-frias desenvolvem tarefas similares e, com o avanço da tecnologia, possuem uma rotina diária ainda mais intensa. Grande parte de toda produção é destinada ao comércio externo, como fora feito na época colonial – economia de exportação. Não é difícil encontrarmos reportagens denunciando as péssimas condições de trabalho desses trabalhadores. Com o avanço tecnológico, o bóia-fria tem de esforçar-se ainda mais, pois grandes máquinas, como as colheitadeiras, são empreendidas no processo de produção do Etanol. ============================================================ Parece que existe uma “vantagem” de ser bóia-fria em comparação ao trabalho escravo desempenhado nos séculos, XVI, XVII, XVII, etc. Os bóias-frias ganham um salário mensal de aproximadamente R$ 550,00 quando homens, e inferior a R$ 400,00 quando mulheres. Este valor mensal é dado em troca de aproximadamente dez toneladas de cana colhidas diariamente. ============================================================ Muitas foram às regiões que deixaram de produzir outros gêneros agrícolas para ceder espaço ao cultivo da cana. Criadores de gados também cederam suas terras para produção canavieira. ============================================================ Todo este “giro” feito no processo de colonização (exploração) do Brasil serve para ilustrar que a História é mutável e não estagnada como alguns entendem. A produção do Etanol (álcool) depende da cana-de-açúcar como principal matéria-prima. Este processo produtivo conta com toda tecnologia do século XXI e, por outro lado, conta também com mecanismos de interesses utilizados no passado. ============================================================ Talvez próximo de uma denúncia, a apresentação destas palavras reflita uma realidade, que costumeiramente fica escondida e distante dos “braços da providência”.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Atualidades

Che Guevara - Uma aula de história deve servir para desconstruir mitos.
------------------------------------------------------------------------------ Claudio Recco
------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Um mito se descontrói com uma grande reflexão sobre seu papel na história, percebendo o contexto em que viveu e qual importância teve para as principais transformações que ocorreram em sua época.
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Um mito se desconstrói analisando as condições objetivas em que suas ações ocorreram, compreendendo as forças sociais e políticas que existiam em dado momento, assim como os interesses econômicos envolvidos.
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A discussão sobre um mito torna uma aula de história significativa, pois implica reflexão e não apenas fazer uma lista de grandes realizações de um “grande homem”. Os alunos se envolvem com uma discussão sobre a “importância de Napoleão” e apenas decoram uma aula com as “realizações de Napoleão”.
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A matéria da revista Veja sobre Che Guevara é uma das peças mais retrógradas que podemos ver na imprensa nos últimos tempos, não pela opinião dos autores sobre o comunismo ou sobre Che, os medíocres autores podem ter a opinião que quiserem sobre qualquer coisa, mas daí a achar que todos os brasileiros devem ter a mesma opinião...
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Nesta semana ouvi.. “todos sabem que Veja é uma revista fascista...”. Não, as pessoas em geral não sabem. Não sabem, e muitos acreditam nas “informações produzidas” pela revista.
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A revista conseguiu – mais uma vez – dar uma lição de péssimo jornalismo, com a falta de ética básica para uma reportagem e contribuiu para reforçar os problemas do ensino da história no país. Será que “liberdade de imprensa” significa: “eu tenho o direito de escrever qualquer coisa, sobre qualquer assunto” ???
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Afinal, um mito se descontrói com análise e reflexão, coisa que os jornalistas da Veja não tiveram capacidade de fazer. Para os críticos da revista, nenhuma novidade; para seus leitores assíduos e defensores intransigentes, um atestado de alienação, pois passaram a semana vomitando os argumentos lidos, sem a capacidade crítica de pensarem por si só.
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Não é de hoje que parcela significativa da “grande imprensa” (sic) aposta da despolitização e na alienação de amplos setores da sociedade. Porque uma revista deveria contribuir para o povo refletir?, Não, é mais interessante contar a verdade pronta, para que as pessoas apenas repitam. Ao voltarmos para as salas de aula, podemos resgatar com nossos alunos o papel do jornal O Estado de S Paulo na República Velha, ou da Tribuna da Imprensa de Carlos Lacerda para a crise do populismo e ainda sua importância para o golpe militar de 64

domingo, 4 de janeiro de 2009

Brasil Império_Cabanada e Cabanagem...

CABANADA e CABANAGEM Por Claudio Recco CABANADA A Cabanada foi uma das primeiras rebeliões ocorridas no Brasil no período regencial, de duração significativa, entre 1832 e 1835, abrangendo regiões das províncias de Pernambuco e de Alagoas. No entanto é um movimento pouco retratado nos livros didáticos e, portanto desconhecido da maioria, provavelmente por ter características peculiares, eventualmente opostas à da maioria dos movimentos da época. ========================================================= Ao contrário dos principais movimentos que ocorreram em Pernambuco e que deram a província uma marca de “mais avançada”, a rebelião teve caráter conservador, pois defendia o retorno de D. Pedro I ao Brasil. ========================================================= Desenrolou-se na zona da mata e no agreste povoada por sertanejos ou mestiços de branco e índio, por escravos negros e por fazendeiros e senhores de engenhos de açúcar que formavam a elite local, dominando e controlando os grupos populares. Esse é um dos fatores explicativos da postura política do movimento, na medida em que essa elite agrária apoiou os movimentos que exigiram a renúncia de D. Pedro I, ao contrário da elite urbana do Recife, formada principalmente por mercadores de origem portuguesa partidários do imperador. ========================================================= Na medida em que as camadas populares percebiam os grandes proprietários como responsáveis pela situação de pobreza e miséria, se colocavam contra as posições políticas dos mesmos, instigados por aqueles que haviam perdido privilégios com o fim do Primeiro Reinado. ========================================================= Liderados por Vicente Ferreira de Paulo, cerca de mil homens se reuniam na região denominada Panelas de Miranda, porém, de início, sem qualquer objetivo político definido, limitando-se apenas a viver de saques às fazendas e da pilhagem. Em contrapartida, os proprietários recorrem aos novos governantes da Província para manter a ordem tradicional. Um conflito que nasceu da pobreza passou a ter conotação política, na medida em que os populares se organizaram para resistir a repressão. ========================================================= Assim, no final julho 1832, na região de Passo, D.Pedro I foi proclamado Imperador do Brasil, fazendo com que o problema criado tomasse maior vulto, forçando o governo a enviar tropas para a região, para reprimir o movimento considerado restaurador. ========================================================= Depois de quase quatro anos de luta, chegou a Panelas o Bispo D. João Marques Perdigão, com o objetivo de pacificar a região. O Bispo obteve a rendição dos sublevados com a condição de serem anistiados, pondo fim a “Guerra dos Cabanos". ========================================================= Além disso, obteve da Assembléia Provincial de Pernambuco ajuda material aos cabanos, como instrumentos de trabalho, remédios e roupas. Dessa maneira os índios retornaram a suas aldeias, assim como os lavradores retomaram seus trabalhos na antiga estrutura fundiária, porém aos negros só restaria a volta ao cativeiro, situação que o obriga a se manter no interior isolado, em pequenos quilombos. Nesse contexto é que se organizou a Guarda Negra, que persegue os desertores, responsáveis pela fraqueza do movimento, e promove assaltos as fazendas, para saqueá-las e promover a libertação de escravos. Essa situação de belicosidade no interior de Pernambuco prolongou-se até 1850, quando da promulgação da Lei de Terras que possibilitou a expansão do latifúndio e devido a prisão de Vicente Ferreira de Paula. ========================================================= Na serra dos Timóteos, no Sítio Cafundó e em vários outros lugares ainda se encontra muito material de guerra da época, abandonado ao termo da campanha”. ========================================================= CABANAGEM ========================================================= Um dos mais duradouros movimentos sociais do período regencial foi a Cabanagem no Pará, no entanto, datas diferentes são utilizadas como referências para sus eclosão e para seu desfecho, abrangendo praticamente toda a década de 30. ========================================================= O termo Cabanagem se origina das habitações – cabanas – humildes, na beira dos rios, nas quais vivia a população pobre, em particular indígenas e mestiços. Parte dessa população já havia participado da Guerra de Independência do Brasil e dos diversos conflitos que se desenvolveram na província na década de 20, marcados por forte sentimento liberal e anti-lusitano. Mesmo com o reconhecimento da Independência, a elite mercantil de origem portuguesa se manteve no controle político e econômico da região. ========================================================= Essa situação foi responsável por uma série de pequenas revoltas até 1829, conhecidas como “Quarteladas de Belém”, reação popular contra os privilégios e desmandos lusitanos. ========================================================= Percebe-se que a luta dos paraenses tem um sentido socioeconômico e político, sendo que as mudanças políticas, superestruturais e que deveriam ocorrer com maior rapidez não foram realizadas. Ao contrário, mesmo após a abdicação de D. Pedro I, o governo regencial manteve a prática de nomear os governantes das províncias, descontentando tanto as elites locais como as camadas mais pobres – tanto da cidade quanto do campo. ========================================================= As primeiras agitações importantes ocorreram em 1832 sob a liderança de Batista Campos, que dominou a comarca de Rio Negro na região do Amazonas e impôs sua política ao governo da província. A reação do Rio de Janeiro foi uma política repressiva, que na prática de novo ânimo aos rebelados e, em janeiro de 1834 iniciou-se a Cabanagem, que depôs e executou Lobo e Silva, presidente da província, e outras autoridades locais. ========================================================= O primeiro governo cabano foi liderado pelo fazendeiro Clemente Malcher que declarou-se fiel ao imperador ainda menor de idade e passou a reprimir o movimento popular, sendo deposto e fuzilado. O substituto Francisco Pedro Vinagre adotou política semelhante, procurando resguardar o poder para si, negociando diretamente com a regência, numa postura que traía o movimento cabano. ========================================================= O governo regencial, bastante temeroso com o desenrolar dos acontecimentos, enviou um grande contingente militar a província, comandado por Manuel Jorge Rodrigues, que tomou o controle de Belém, com a ajuda do próprio Francisco Vinagre, traindo pela segunda vez os cabanos. ========================================================= A reação dos cabanos partiu do interior e organizados e armados, retomaram a capital e proclamaram a República e o desligamento da província do restante do império. Os cabanos dominaram a província durante um ano; em maio de 1836 chega grande esquadra a região e inicia-se violenta repressão, forçando os cabanos a abandonar a capital e a recuar para o interior, onde focos de lutas se mantiveram, assim como a política repressiva adotada pelo governo, até 1840. ========================================================= Incapazes de resistir os rebeldes foram massacrados. Ao final do movimento, cerca de 30mil homens haviam morrido nos diversos conflitos promovidos por mercenários e pelas tropas governamentais. ========================================================= Chegava ao fim a Cabanagem que, segundo o historiador Caio Prado Júnior, "foi o mais notável movimento popular do Brasil... o único em que as camadas mais inferiores da população conseguem ocupar o poder de toda uma província com certa estabilidade. ========================================================= Apesar de sua desorientação, da falta de continuidade que o caracteriza, fica-lhe contudo a glória de ter sido a primeira insurreição popular que passou da simples agitação para uma tomada efetiva de poder."

Brasil Colônia

Bolos e docinhos EXTRA! EXTRA! PROIBIDA A PRODUÇÃO DE BISCOITOS, BOLOS E DOCINHOS EM LISBOA Por Cristiano Catarin O ano de 2008 está sendo especial para a historiografia brasileira em relação à temática da transferência da família real portuguesa ao Brasil ocorrida em 1808. O bicentenário deste importante episódio da História proporcionou um salto no debate historiográfico, desenvolvendo e enriquecendo diferentes abordagens que envolvem todo o processo histórico como: os antecedentes, os preparativos, a própria viagem e a chegada e permanência de uma corte européia na América entre 1808 e 1821. Entretanto, nossa parada será os últimos meses do ano de 1807, em Lisboa, momentos primorosos que antecederam a tão discutida atitude tomada e realizada por d. João em 29 de novembro, quando então a família real, tudo e todos que significassem o aparelho político, administrativo e até religioso da corte portuguesa foram lançados ao mar rumo ao Brasil. O último trimestre de 1807 foi tomado por grandes modificações no cotidiano da cidade de Lisboa, em Portugal. De um lado, havia uma combinação de práticas religiosas e demonstrações de preparos militares, de outro, falatórios, boataria e intrigas, a cidade portuguesa estava refém das tensões que rondavam as decisões e indecisões do príncipe regente d. João quanto a escolha de qual posição tomar frente às pressões exercidas em terra, por meio das ameaças do então imperador francês Napoleão Bonaparte, e pelo mar, pela Inglaterra, detentora do maior poderio marítimo da época. A realidade dos fatos causava desconserto de idéias em d. João, e esse sentimento do príncipe aumentava com os boatos que pairavam pelas ruas de Lisboa, como o exemplo de que diziam que se o príncipe regente de fato fosse lançar-se ao mar com destino ao Brasil, sua embarcação seria “engolida” pelas águas e ninguém iria sobreviver. A cidade portuguesa estava agitada, sendo palco de rezas e crenças e, ao mesmo tempo, de muitas preocupações de combate de encontrar maneiras para o melhor preparo militar. Toda a agitação acabou alcançando diversos setores de Lisboa. Toda instabilidade e insegurança acabaram atingindo o mercado local da cidade, que naquela época apresentava escassez de mantimentos, especialmente a falta de carne e de trigo. Esta situação fez o governo baixar um edital regulando o consumo da farinha, restringindo seu uso exclusivamente para produção de pão, proibindo, portanto, a produção de biscoitos, bolos e docinhos. Um verdadeiro racionamento de trigo estabeleceu-se em Lisboa. Os famosos pastéis de Belém, famosa iguaria da culinária portuguesa, foram diretamente atingidos pelo edital disposto em 16 de novembro de 1807. A escassez de víveres representa o tamanho das dificuldades e das incertezas que faziam parte dos portugueses naquela época. Afinal, Portugal estava prestes a demarcar um fato inédito na História, pois, até aquele momento, nenhuma outra monarquia européia havia se transferido para o outro lado do Atlântico. Para sabe mais: SCHWARCZ, Lilia Moritz. A Longa Viagem da Biblioteca dos Reis: do terremoto de Lisboa a independência do Brasil. Colabs. Paulo César de Azevedo, Ângela Marques da Costa: Companhia das Letras. São Paulo, 2002.

domingo, 28 de dezembro de 2008

Ortografia

Novas regras entram em vigor em janeiro Assembleia, plateia, ideia, panaceia, Coreia, colmeia, boia, paranoia, jiboia, apoio, heroico, paranoico, enjoo, voo, coroo, perdoo, coo, moo, abençoo, povoo, creem, deem, leem, veem, descreem, releem, reveem, eloquência, tranquilo, feiura, autorretrato, antissocial, suprarrenal, ultrassonografia, autoajuda, autoescola, contraindicação, semiaberto, semiárido, mandachuva, paraquedas, paralama e micro-ondas. Não, as palavras acima não estão grafadas incorretamente, ou pelo menos não estarão a partir de 1º de janeiro de 2009. É que, na data, entrarão em vigor as regras do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. O acordo foi assinado em Lisboa, em dezembro de 1990, passou pelo Congresso Nacional que o aprovou por meio de decreto em 95, mas só no último final de semana foi assinado pelo presidente Lula. A partir de janeiro próximo, começa a correr o prazo para seja consolidado até dezembro de 2012. O acordo - que visa unificar o registro escrito do português nos oito países que falam o idioma: Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Timor Leste, Brasil e Portugal - reduz o uso do trema; elimina o uso do acento agudo nos ditongos abertos "ei" e "oi" de palavras paroxítonas (como em "assembléia" e "idéia"); acaba com o uso do acento diferencial de palavras como pára (do verbo parar) e para (preposição); e incorpora as letras "k", "w" e "y" ao alfabeto, entre outras alterações. O decreto de implementação do acordo ( nº 6.586/08) foi assinado por Lula na Academia Brasileira de Letras (ABL), em sessão solene pela passagem dos 100 anos da morte do escritor Joaquim Maria Machado de Assis, primeiro presidente e símbolo maior da instituição. Em 2009, os livros escolares, distribuídos pelo Ministério da Educação à rede pública de ensino de todo o país, serão autorizados a circular tanto na atual, quanto na nova ortografia. A partir de 2010, deverão ser editados somente na nova ortografia, excetuadas a circulação das reposições e complementações de programas em curso. O texto do acordo ortográfico foi assinado pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) em 16 de dezembro de 1990. A norma deveria entrar em vigor quatro anos depois, mas algumas nações não conseguiram ratificá-lo a tempo. A expectativa é que as mudanças alterem entre 0,5% e 2% do vocabulário atual. Para conferir o texto do acordo clique em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Decreto/D6583.htm . (Agência Senado e Assessoria)

domingo, 21 de dezembro de 2008

Brasil República_Dândi Negro

Dândi Negro Por Petrônio Domingues ================================================================== Filho de ex-escravos nascido no fim do século 19, Lino Guedes destacou-se como jornalista, escritor e ativista político, respeitado entre a sociedade intelectual paulista. ================================================================== É comum pensar que o negro depois da abolição da escravatura ? 13 de maio de 1888 ? ficou completamente a deriva, excluído do mercado de trabalho e da vida nacional. O retrato completo dessa explicação aponta para um negro anômalo: desempregado ou realizando serviços braçais, analfabeto, desarticulado social e politicamente, despreparado para o mundo civilizado e a vida moderna e, por fim, soterrado em seu complexo de inferioridade. Essa explicação esquemática, simplista e reducionista tem sua parcela de verdade, mas não é tudo que pode (e deve) ser dito acerca do destino dos ex-escravos e de seus descendentes. A história é mais complexa, multifacetada, contraditória e rica de fatos, cenários, personagens e contextos do que se imagina. Além dos negros que ficaram marginalizados ? que por sinal foram muitos ? houve aqueles que também ascenderam social e culturalmente, destacando-se em profissões de prestígio, sendo reconhecidos em ambientes letrados e respeitados pelos mais diferentes extratos da sociedade. Um desses casos foi Lino de Pinto Guedes ? comumente conhecido como Lino Guedes ? nascido na cidade de Socorro, interior de São Paulo, em 24 de junho de 1897. Seus pais eram dois ex-escravos que levavam uma vida humilde e pacata. Quando recém-nascido perdeu o pai, o que fez com sua mãe ficasse responsável pela educação dele e de sua irmã, Gracinda Guedes. Com parcos recursos materiais, recebeu ajuda do ?coronel? Olympio Gonçalves dos Reis, um dos líderes políticos mais poderosos da cidade. Foi a partir dessa relação paternalista de ?proteção? e dependência desse coronel que Guedes conseguiu ingressar na escola, num período em que não era fácil arcar com as despesas dos estudos em que vários estabelecimentos de ensino de São Paulo (e de outros lugares do país) se recusavam a matricular crianças negras. Depois de ter concluído o equivalente ao atual ensino fundamental, mudou-se para a cidade de campinas em 1912, a fim de dar continuidade aos estudos na escola normal e tornou-se professor. Na nova cidade, ampliou seu círculo de amizades, passou a freqüentar novos ambientes e descobriu outros horizontes culturais. Como resultado, desistiu da carreira de docente e assumiu a sua verdadeira vocação: o jornalismo. Seu primeiro emprego foi no jornal Diário do Povo, onde foi contratado como revisor auxiliar. Em seguida trabalhou no Correio de Campinas como revisor-chefe e na redação do Correio Popular. ================================================================== Militância Escrita ================================================================== Paralelamente ao trabalho na grande imprensa, dedicou-se a militância em defesa da ?classe dos homens de cor? (como se falava na época). Afinal, um de seus grandes sonhos era ver a elevação moral, social e cultural desse segmento populacional. Munido de muita disposição de luta e de um discurso cada vez mais racializado, freqüentou grêmios recreativos e eventos sociais da comunidade negra e, principalmente, engajou-se obstinadamente na chamada imprensa negra ? jornais criados por e para os afro-brasileiros. O primeiro desses jornais a contar com sua colaboração foi A União, em 1915, quando Guedes dava os primeiros passos na profissão. Em companhia de Gervásio de Morais e Benedito Florêncio, fundou o Getulino em 1923. vale ressaltar que, em termos de militância, sua grande inspiração foi o abolicionista negro Luis Gama, conhecido pelo apelido de Getulino. Foi, aliás, para homenageá-lo que Guedes convenceu os companheiros a escolher a alcunha como título do novo jornal. Mas esse, assim como outras publicações do gênero, não teve vida longa. Três anos depois Getulino encerrou suas atividades. Tudo indica que Guedes passou a achar a cidade de campinas pequena para suas ambições pessoais e profissionais, por isso transferiu-se para a capital paulista ainda em 1926. Começou a trabalhar no Jornal do Comércio, tendo atuado, até o fim de sua vida, em vários órgãos da imprensa escrita: O Combate, A Razão, Correio Paulistano e, por último, Diário de São Paulo, no qual por vários anos chefiou o seu departamento de revisão. Essas várias mudanças de emprego podem evidenciar o quanto Guedes era respeitado e transitava no meio jornalístico de São Paulo, não lhe faltando oportunidade de trabalho. Em São Paulo deu continuidade à sua militância em defesa dos direitos dos negros, participando de associações recreativas e reuniões sociais da comunidade negra, até que, em 1928 colaborou com Argentino Celso Wanderley na fundação do Progresso, jornal cujo objetivo declarado era angariar recursos para a construção de uma herma à Luis Gama. Nele, Guedes procurou convencer seu público leitor que suas propostas em prol da ascensão do negro eram as melhores. Baseavam-se num discurso moralizador, nacionalista, de valorização da raça, da educação formal e da cultura ocidental. ================================================================== Declínio e Literatura ================================================================== Devido a seus posicionamentos político-ideológicos, entrou em divergência com algumas das principais lideranças afro-paulistas. Fora acusado de ser arrogante, personalista e elitista, em descompasso com os anseios da maior parte da população negra. O fato é que, se, na época de sua chegada a capital, Guedes foi elogiado, depois passou a ser criticado, o que o fez perder cada vez mais espaço no movimento associativo da ?classe dos homens de cor?. Simultaneamente a carreira profissional e ao engajamento político, ele também se dedicou ao mundo da literatura. Sua paixão era a poesia. E, ao traduzir em linguagem poética, seus desejos, sonhos, expectativas, alegrias e frustrações, Guedes notabilizou-se por escrever, o que foi denominado na literatura negra ? uma literatura produzida por afro-brasileiros voltada a tratar de suas questões. Suas primeiras poesias foram publicadas nos jornais da imprensa negra, tanto em Campinas quanto em São Paulo. Em 1924 publicou o livro Luís Gama e sua Individualidade Literária, como forma de render, mais uma vez, tributo ao seu maior ídolo. Dois anos depois deu-se o lançamento de Black, seu primeiro livro de poesia. Segundo o prefaciador de uma de suas obras, ele escreveu o primeiro livro intrinsecamente getulino no Brasil, ou seja, um livro em nome da e para a comunidade negra. Essa opinião é de certa forma compartilhada por David Brookshaw, para quem Lino Guedes foi o primeiro poeta negro do Brasil a experimentar a alma de seu povo. ================================================================== Texto publicado originalmente na revista Desvendando a História, no. 19